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    bhive
    Feb 21 st, 2017
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    bhive em Valor Econômico

    Valor Econômico

    Como aproveitar o “Tinder” do trabalho e outros aplicativos

    Plataformas e redes encurtam distância entre profissionais e ajudam a fazer negócios pessoalmente

     

     

    Antes da internet, não havia muitas estratégias à disposição de quem desejava expandir a rede de contatos para além do círculo mais diretamente ligado ao cotidiano do trabalho. O caminho básico era marcar presença em lugares em que fosse possível puxar conversa ou ser apresentado a alguém interessante. Assim, enquanto alguns tentavam aproveitar a sociabilidade facilitada pelo clube no final de semana, outros preferiam praticar esportes “de executivos”, como tênis ou golfe.
    Havia ainda os que frequentavam happy hours e eventos dos mais diversos tipos com o objetivo principal de trocar cartões que, na maioria das vezes, acabavam sendo esquecidos em arquivos de onde jamais voltariam a ser sacados. Ampliar o networking costumava ser, portanto, um processo caro e pouco eficiente.

    Hoje, o cenário está totalmente modificado, graças às diferentes formas de conhecer pessoas propiciadas pelo universo digital. Uma dessas possibilidades são os aplicativos desenvolvidos com a missão de facilitar a aproximação de profissionais com interesses em comum, a exemplo do BeerOrCoffee, espécie de Tinder voltado ao mundo do trabalho.

    O funcionamento do aplicativo, desenvolvido no Brasil, é simples: as pessoas que o instalam passam a ter a possibilidade de convidar outros integrantes da rede, que estejam por perto e apresentem um perfil considerado interessante, para tomar um café ou uma cerveja em um dos estabelecimentos parceiros do aplicativo, que oferecem a primeira bebida grátis.

    O advogado especializado em direito ambiental Junio Magela, 32 anos, de Belo Horizonte, tornou-se usuário frequente do aplicativo. Os cerca de 20 encontros realizados desde que se integrou à rede, há cinco meses, trouxeram resultados concretos. Depois de tomar café com o criador de uma startup de energia solar, os dois decidiram reativar um evento do qual Magela havia sido organizador, o Green Drinks, happy hour mensal que reúne profissionais ligados à questão ambiental na capital mineira. “O evento estava parado havia dois anos, mas com o novo incentivo e o compartilhamento dos esforços já chegamos à terceira edição da nova fase, com repercussão cada vez maior”, entusiasma-se Magela.

    Ele diz que, dos contatos feitos até agora, esse e outros três deram origem a oportunidades reais de negócio. “O que não quer dizer que os outros também não tenham sido interessantes e produtivos. Tive um papo ótimo com um cineasta, por exemplo.” Fascinado por tecnologia, o advogado considera que ampliar o networking é essencial para um profissional se movimentar em um mercado de trabalho cada vez mais multifacetado e com perspectiva de redução drástica dos empregos convencionais, aqueles com carteira assinada. “Nesse cenário em que todos teremos de ser empreendedores, fazer novos contatos para saber o que acontece e conhecer pessoas é parte essencial do trabalho”, avalia.

    Magela diz que a grande vantagem do BeerOrCoffee é superar o maior problema dos contatos feitos por outros meios — a síndrome do “qualquer hora dessas a gente marca um café”. “Por mais que você tenha a intenção verdadeira de encontrar aquela pessoa, a correria do dia a dia muitas vezes acaba nos engolindo. Com o aplicativo é diferente: você avisa que está indo tomar café naquele momento. Não tem mais o ‘qualquer hora’, é algo concreto e imediato, o que resulta em uma efetividade muito maior”, compara.

    Com 22 mil usuários cadastrados em 25 cidades e 50 mil encontros promovidos no primeiro ano de funcionamento, sendo que apenas nos últimos quatro meses o uso deixou de ser restrito a determinadas comunidades e se tornou público, o BeerOrCoffee foi selecionado pelo Google como um dos novos aplicativos mais interessantes do mundo. Isso trouxe aos três sócios a oportunidade de ir ao Vale do Sicílio, em novembro, para apresentá-lo a potenciais investido- res — e de retornar ao Brasil com alguns contatos promissores.

    “Há o entendimento geral de que conectar pessoas e promover a colaboração entre os profissionais será uma missão cada vez mais importante”, resume a publicitária Roberta Vasconcellos, 28 anos, criadora do aplicativo ao lado do irmão, Pedro, 26, engenheiro civil, e do amigo e sócio Eric Santos, 37, da área de tecnologia. “O maior diferencial do BeerOrCoffee é combinar as ferramentas virtuais com a promoção de encontros reais”, diz.

    Outra forma de networking que vem ganhando força são as comunidades de ajuda mútua que se multiplicam nas redes sociais. Esses grupos reúnem pessoas que trocam informações sobre aspectos profissionais ligados a uma determinada área ou a uma condição que estabelece imediata afinidade entre os participantes. É o caso, por exemplo, da comunidade Garotas no Poder, que, como o nome indica, só permite a participação de mulheres.

    O grupo foi criado há um ano pela Relações Públicas Camila Mazzini, 33 anos, a partir de uma situação banal do cotidiano. Ela precisava de reparos no encanamento e, como mora sozinha, não se sentia à vontade para que o serviço fosse realizado por um homem. Perguntou a amigas se conheciam mulheres que executariam esse tipo de tarefa, e a partir dessa troca inicial de informações surgiu o grupo — que cresceu rapidamente e hoje tem quase 15 mil integrantes, com mais de 100 novos pedidos diários de ingresso.

    Para que os contatos feitos virtualmente ganhem materialidade, Camila passou a organizar encontros em um espaço de coworking em São Paulo. Várias parcerias já surgiram a partir das trocas iniciadas em frente ao teclado e consolidadas olho no olho. “A internet cria a oportunidade de conhecer melhor uma pessoa e o trabalho dela antes de apostar no contato”, diz a fundadora. “O grupo me levou a conhecer e a me tornar amiga de mulheres das mais diferentes atividades profissionais e histórias de vida. Só isso já compensa todo o esforço”, diz.
    O médico otorrino Alex Hamam, 56 anos, conhece há muito tempo os benefícios desse tipo de contato. Há exatos 17 anos, ele criou o EGroups, uma lista de discussão reunindo médicos de sua especialidade em todo o Brasil. Naquele tempo pré-redes sociais, Hamam viu na ferramenta a possibilidade de conectar colegas interessados em trocar informações, com resultados positivos para os respectivos pacientes. “A nossa especialidade é muito mal distribuída geograficamente no Brasil e o grupo logo se tornou um canal importante para quem trabalha de forma mais isolada no interior. Era a oportunidade, até então inexistente, de ter acesso fácil e rápido à opinião de outros médicos sobre casos mais complicados”, descreve.

    O grupo só aceita otorrinos e tem como regra limitar os assuntos discutidos à atividade profissional — nada de posts sobre política, economia ou futebol. Depois de muitos anos no Yahoo Groups, que incorporou o EGroups, a comunidade foi migrando gradualmente para o Facebook, plataforma que, para Hamam, tem vantagens e desvantagens em relação à anterior. “Podemos incluir imagens, o que é importante. Mas achar uma mensagem antiga é um tormento, algo que no Groups era bem fácil”, compara. Por conta dessas dificuldades, ele tem experimentado outras possibilidades de plataforma, incluindo redes sociais específicas para médicos.

    “O importante é o grupo continuar cumprindo seus objetivos, como tem feito ao longo de todos esses anos”, diz, com orgulho, Hamam, que nos congressos médicos costuma encontrar muitos dos cerca de 1.000 colegas participantes. “Aí são abraços apertados e manifestações de amizade profunda, mesmo daqueles que eu só conhecia virtualmente. É algo meio no espírito ‘ nunca te vi, sempre te amei’”, brinca ele.

    Os autônomos, cada vez mais comuns no mercado de trabalho, enfrentam uma dificuldade maior para ampliar a rede de contatos por não carregarem o “sobrenome” de uma grande empresa. Plataformas como a recém-lançada bhive podem ajudar nessa missão. Trata-se de um serviço que seleciona profissionais com experiências sólidas em cargos executivos ou formação nas melhores escolas de negócios para que seus serviços sejam oferecidos a empresas interessadas em consultoria ou realização de projetos de curto prazo, com duração máxima de seis meses.

    O bhive fechou o primeiro ano de funcionamento com 750 especialistas cadastrados e 28 projetos realizados — a comissão de 27,5% cobrada nessas intermediações resultou no ainda modesto faturamento de US$ 150 mil, mas os planos são de multiplicar rapidamente esses números.

    “Pretendemos chegar a 4 mil profissionais em 2017 e 20 mil até 2018, sem diminuir o rigor da seleção. A ideia é ter um grupo de talentos realmente de elite”, diz o CEO, Leonardo Marchant.
    Uma forma que está sendo planejada para tornar a participação ainda mais atraente para os profissionais, que não têm garantia de que serão convocados para algum trabalho por meio da plataforma, é justamente explorar o potencial de reunir profissionais de alto nível para promover o networking entre eles. “Isso já acontece por meio de canais como o nosso blog, uma vitrine para que os profissionais se mostrem aos demais. Mas pretendemos facilitar contatos ainda mais produtivos entre os membros da nossa comunidade”, acrescenta Marchant.

    O diferencial das novas redes é combinar as ferramentas virtuais com a promoção de encontros reais.

    Artigo no Valor Econômico


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